Rafa Nascimento

Manifesto para Transformação Ágil

Posted in mudança by Rafa Nascimento on 19/05/2013

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Um dos maiores desafios de consultorias e departamentos de TI hoje em dia é a transição de um paradigma tradicional de gestão e desenvolvimento de software pautado no Waterfall para o paradigma Agile. Como já vimos em um post anterior, não há mudança rápida e fácil quando lidamos com a cultura corporativa. Em 5 anos de experiência e observação usando métodos ágeis para gerenciar projetos e desenvolver software, ajudando empresas a aprender métodos ágeis e a iniciar seus processos de transição para um paradigma de desenvolvimento de software mais ágil, apresento-lhes um padrão que percebi e eu mesmo venho aplicando recentemente para auxiliar no processo de transição de paradigmas e proporcionar uma transformação cultural mais consistente e menos dolorosa para consultorias e departamentos de TI, além de criar um mindset que permite espalhar o novo paradigma organização/cliente adentro. Abaixo, o Manifesto para Transformação Agile:

Cristalizar, para enxergar os problemas
Conscientizar, para identificar o impacto causado pelos problemas
Educar, para aprender novas abordagens de resolução dos problemas
Experimentar, para confrontar as novas abordagens com a realidade
Cristalizar, para enxergar os problemas
Adaptar, para adequar a teoria à realidade
Reagir, para sensibilizar e motivar a mudança
Estabilizar, para combater o status-quo
Cristalizar, para enxergar os problemas

Quando escolhemos mudar o paradigma da nossa equipe, departamento ou organização, o primeiro passo que precisamos dar é o de Cristalizar o ambiente, com o objetivo de enxergar os problemas que residem no processo e no ambiente. Sem saber que problemas existem no nosso ambiente, não há motivos para promover uma mudança. Independente das práticas que serão utilizadas para visualizar os problemas que queremos resolver (Kanban, enquetes, profiling de equipes, etc.), o objetivo deste passo é responder à pergunta: Que problemas existem no meu ambiente/processo?

Com os problemas à vista, ainda não é hora de promover mudanças. Isso porque há um status quo, uma zona de conforto que permite que os problemas sobrevivam. Permite que os problemas assumam o status de “normais” naquele ambiente e assumam um espaço importante entre os valores culturais da organização ou da equipe. É preciso, então, Conscientizar quem compartilha desta cultura e, assim, sensibilizar através do questionamento do status quo atual as pessoas que estão envolvidas na mudança, fazendo com que outros valores também existentes na cultura predominante tornem-se mais importantes do que aqueles que permitem a sobrevivência dos problemas. Isso gera um senso de urgência em prol da mudança. O objetivo deste passo é responder à pergunta: Que impacto os problemas causam às minhas cadeias de valor?

Neste ponto, convencidos de que a mudança de fato é necessária e benéfica, mesmo sem dados que comprovem tal convicção, muitas empresas e equipes optam por já promover a mudança, “na cara e na coragem”, e, obviamente, passam por inúmeros problemas pois não há conhecimento suficiente fundamentando o desenvolvimento de um novo paradigma. É preciso, agora, Educar os envolvidos lna mudanças para que eles agreguem o máximo de conhecimento possível relacionado ao novo paradigma e possam, assim, resistir à tentação de retornar à zona de conforto, onde o conhecimento já está enraizado, “no sangue”. O objetivo deste passo é responder à pergunta: Como posso melhorar meu processo e ambiente?

Quando todos os envolvidos na mudança possuem o conhecimento necessário para que possam seguir em frente com o movimento, é hora de Experimentar a nova abordagem. É hora de adotar novas práticas para resolver problemas, gerenciar projetos e desenvolver produtos. É hora de gerar novos dados que nos ajudem a avaliar como o nosso ambiente está se comportando frente à nova abordagem. O objetivo deste passo é responder à pergunta: As ferramentas que escolhi são as melhores para resolver os meus problemas?

Neste ponto, precisamos Cristalizar novamente o nosso ambiente. Isso porque novos problemas estarão presentes em nosso ambiente, e precisamos enxergá-los para que possamos mitigá-los, já com uma nova abordagem em mãos.

Com os dados colhidos durante a nossa experimentação e os problemas que surgirão frente à nova cristalização, é hora de Adaptar as novas práticas à realidade do nosso ambiente. Agora, todos os envolvidos na mudança tem o conhecimento teórico e prático que permitem que nenhuma abordagem seja deturpada, permitindo uma adaptação à realidade segura e resultados promissores. O objetivo deste passo é responder à pergunta: Como posso manter o valor das ferramentas escolhidas sem engessar minhas atitudes?

Após diversos experimentos e adaptações, que nos geram cada vez mais dados relativos às nossas diversas cadeias de valor, é hora de Reagir. Esse é o momento de confrontar os novos dados, colhidos durante a utilização de uma nova abordagem, e confrontar com os antigos dados colhidos enquanto cristalizávamos o ambiente em seu estado inicial. É o momento de expandir o senso de urgência e contagiar mais pessoas e departamentos perante os resultados provenientes de uma nova abordagem para desenvolver produtos e gerenciar projetos. O objetivo desta passo é responder à pergunta: Meu estado atual é realmente melhor que o meu estado inicial?

Se a reação é bem-sucedida, e há um contágio com a nova abordagem, a mudança ganha um caráter natural e um novo status quo começa a surgir, mas os valores que mantinham o antigo status quo vivo ainda existem e não descansam enquanto não trazem a zona de conforto de volta. Além disso, há o aspecto da “novidade” que começa a dissipar-se, abrindo mais espaço para a a volta do antigo status quo. Neste ponto, considero importante o trabalho de pessoas com um perfil mais controlador, porém, que também tenho o mesmo nível de conhecimento que os demais envolvidos na mudança, e sejam capazes de Estabilizar o novo status quo sem trazer de volta o antigo status quo travestido de novidade. O objetivo deste passo é responder à pergunta: Meu estado atual é realmente consistente?

Por fim, é necessário Cristalizar o novo ambiente e identificar os novos problemas, e passar novamente pelos mesmos passos que ajudarão a promover novas mudanças no ambiente e no processo, ajudando a germinar uma nova cultura de melhoria contínua, suave e indolor.

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Uma resposta

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  1. Annelise said, on 20/05/2013 at 14:50

    Muito bom e o caminho é esse mesmo!!! O grande problema das pessoas é que elas nao tem paciencia para aprender e quem sabe, nao tem paciencia para ensinar. A agilidade, como todo processo, precisa ser feito de uma forma que as pessoas aprendam e melhorem o seu dia-a-dia. Um passo de cada vez, até entrar no sangue.
    Parabens pelo post Rafa!


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